terça-feira, 9 de junho de 2009

É preciso acabar?

Protocolo de Kyoto que chega ao fim em 2012 procura a diminuição dos gases poluentes



09 de junho de 2009.


O polêmico fim do Protocolo de Kyoto revela que os problemas ainda estão longe de acabar.


Por Jessely Nascimento e Nathália Oliveira


O efeito estufa é um dos principais focos de debates mundiais, isso porque sua intensificação provoca o aumento da temperatura do planeta. O desmatamento, prática que nos últimos anos vem crescendo em muitos países, é uma causa significativa para tal efeito. A queima das árvores libera CO2 (carbono), gás que é considerado um dos mais poluentes. Junto com o CO (monóxido de carbono), o CO2 se concentra em algumas regiões da atmosfera formando uma camada que impede a dissipação do calor.

Inicialmente, o efeito estufa é um ciclo natural. A Terra usa essa camada formada pelos gases para reter um pouco do calor emitido pelo Sol, mantendo assim a temperatura estável. O problema está na interferência do homem, uma vez que a população vive em um processo de crescimento demográfico acelerado: as indústrias crescem, a queima de combustíveis fósseis se intensifica e o desmatamento aumenta.

Em função da preocupação com o meio ambiente, uma das propostas para diminuir o problema é o conhecido Protocolo de Kyoto, acordo internacional entre os países, que só entrou em vigor em 2005 e tem como objetivo limitar as emissões dos gases que provocam o efeito estufa, além de incentivar e estabelecer medidas preventivas no intuito de substituir produtos por outros que provoquem menos impacto.

A principal meta é a redução de 5,2% na emissão desses gases dos países desenvolvidos, em relação ao que foi registrado em 1990. Para atingi-las, o protocolo criou três mecanismos: o Crédito de Carbono (política em que um país rico compra o direito da emissão de CO2 de um país pobre), implantação de projetos conjuntos para reduzir emissões e o MDL, ou Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (implantação de atividades sustentáveis para diminuir a intensidade dos gases).

A expectativa dos especialistas em clima e meio ambiente com relação ao Protocolo de Kyoto é a diminuição da temperatura global entre 1,5 e 5,8º C até o final do século XXI. Desta forma, o ser humano poderá evitar as catástrofes climáticas de alta intensidade, que estão previstas para o futuro.

O problema é que o Protocolo tem prazo de validade até 2012, o que faz com que o mundo levante a seguinte questão: como será após 2012? Há possibilidade de novos acordos?

A ONU (Organização das Nações Unidas) já se pronunciou sobre isso, declarando que mais de 190 países já concordaram em discutir até o fim de 2009 um novo acordo.

Durante uma semana, em fevereiro deste ano, mais de 100 ministros do meio ambiente e representantes da sociedade civil se reuniram em Nairóbi, no Quênia, para a 25ª Sessão do Conselho de Governos da UNEP – Programa Ambiental das Nações Unidas. O objetivo era encontrar uma saída para a crise ambiental. Para tanto, a UNEP propôs um “New Deal Verde” que calcula que um terço do pacote de U$2,5 trilhões já investidos para a recuperação das finanças do mundo – o que corresponde a 1% do PIB mundial – seja destinado para uma economia mais “verde”, que seria o controle e monitoramento dos impactos ambientais por meio do corte das emissões dos gases, uso racional da água e investimentos em novas tecnologias.

A próxima conferência da ONU será realizada no fim do ano em Copenhague, na Dinamarca, e espera-se que os EUA assumam uma participação mais ativa contra o efeito estufa, uma vez que em 2001 o ex-presidente George W. Bush anunciou a saída dos EUA do protocolo de Kyoto, alegando que essa diminuição na emissão dos gases poluentes afetaria diretamente a sua produção. Pediu, também, provas concretas e científicas de que o processo promovido pelo aquecimento global não é natural.

Defensores do Protocolo alegam que essa recusa dos EUA é para não perder a posição de maior economia do mundo para a China, grande candidata a essa sucessão em um futuro não muito distante.

O novo presidente eleito dos EUA, Barack Obama, é opositor do partido de Bush, o que faz com que o mundo pense que a ideologia construída pelo novo presidente do mundo, como é chamado por todos, seja diferente. A esperança de um “mundo melhor” foi o que fez com que os norte-americanos o colocassem no poder.

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